Presidente da ASLE BRASIL publicou poemas ambientais e é defensora das causas animais

Quem conhece a professora Zélia Bora cuidando dos gatos que cria em casa também sabe seu engajamento em ações de defesa dos animais. Ela fundou e foi a primeira presidente da organização não governamental Associação Fórum de Proteção e Defesa Animal com sede em João Pessoa e ainda faz um trabalho pessoal de resgate e apoio a cães e gatos abandonados e maltratados.

            O caso mais comovente para ela foi o resgate de um gato com problemas neurológicos num local insípido de feira livre da capital paraibana. “Ele não tinha a mínima chance de sobrevivência em um lugar também com condições subhumanas. Os animais são praticamente abandonados para morrer. Atualmente recebe tratamento de higiene e remédios”.

            O respeito aos seres não humanos no mundo atual cheio de desamor e violência motiva a poeta e pesquisadora de ecocrítica a fazer sua parte em favor da consciência ambiental. “Se sonhamos com uma sociedade melhor, nós temos acima de tudo de ter compaixão por aqueles animais como nós porém diferentes, pelas plantas e flores. Sem essas criaturas, o universo seria de uma escassez sem precedentes já que o homem foi a última das criações divinas e o único a destruir deliberadamente a natureza”.

            Ela lançou Poemas das Cidades Mortas e dos Pequenos Seres Invisíveis (Nandyala, 2013) para legitimar na arte a preocupação ecológica desenvolvida em casa, na universidade em que leciona e nos congressos dos quais participa. Já apresentou trabalhos científicos de ecocrítica e meio ambiente no Japão, Peru e na Argentina. Filiou-se à Associação de Literatura e Ecocrítica dos Estados Unidos (ASLE) em 2012 e desde então participa de seus congressos bienais.

            Membro fundadora e presidente da Associação Brasileira de Literatura e Ecocrítica, a primeira da América Latina, ela aposta em somar forçar com associações internacionais em defesa do meio ambiente e profissionais das artes, linguagens e ciências humanas. “Encaro como um grande desafio contribuir para internacionalizar a  pesquisa em ecocrítica e estudos animais autenticada pela associação americana que possui vínculos acadêmicos com vários pólos internacionais”.

A filha Sarita Bora aprendeu com a mãe a amar e defender os animais. “É importante o envolvimento das pessoas com o ativismo animal, seja participando da luta por direitos, conscientização comunitária ou resgatando animais abandonados. Aprendi isso desde cedo com meus pais”.

            Zélia lembra que cabe ao ser humano neste milênio tão conturbado e tão violento, rever e procurar humanizar-se e respeitar os pequenos seres esquecidos, violentados, mortos e vítimas de transgressões. “O amor aos animais é o início de uma nova compreensão de se tornar humano. Eles merecem nossa atenção, consideração moral e neste sentido não devemos esperar por grupos mas deliberadamente fazermos a nossa parte em favor do nosso futuro em relação a esses pequeninos seres”.

            FORMAÇÃO – Zélia Bora é professora do curso de Letras da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Tem doutorado em estudos portugueses e brasileiros na Brown University e pós-doutorado na Berkeley University, onde também foi professora visitante em 2012, todas universidades estadunidenses. Foi bolsista por um ano da American Association of University Women, fundação sediada em Washington e engajada com o empoderamento feminino desde 1881. Seus trabalhos acadêmicos e científicos em ecocrítica envolvem temáticas como ecofeminismo, identidade, cultura e memória.

Coordenação de Comunicação


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